Congresso Medicina e Inovação - PUC-Rio apresenta projetos inovadores aplicados à área da saúde

27/07/2016
por Milene Couras

“A medicina de vanguarda alia a melhor tecnologia e a maior humanidade. Educar os futuros médicos é gerar no presente os profissionais que farão o futuro”, falou o Prof. Hilton Koch, decano do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, durante o simpósio Medicina e Inovação: Experiência de Interdisciplinaridade na PUC-Rio, realizado este mês, no Rio de Janeiro. O evento reuniu em torno de 250 pessoas, médicos em sua maioria, para apresentar os grandes avanços que pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento têm alcançado e aplicado à área da saúde.
Na abertura do simpósio, o Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J., ressaltou a importância das inovações obtidas através da Medicina aliada à tecnologia. “Tenho o sonho de construir um núcleo interdisciplinar de referência na área médica na PUC-Rio, e os trabalhos aqui apresentados são o início da construção de uma Medicina Tecnológica”, falou o Reitor, que aproveitou o evento para homenagear o médico Clementino Fraga Filho, falecido em maio deste ano. “Era uma pessoa de alma grandiosa, muito ligado a Deus, que merece todas as homenagens por tudo que fez para a Medicina do nosso país”.
A contribuição que áreas do conhecimento como Design e Informática têm dado à Medicina é muito grande, e na PUC-Rio têm sido desenvolvidos alguns trabalhos pioneiros. Muitos desses projetos já eram conduzidos separadamente dentro da Universidade e foi a partir da construção do projeto de uma graduação em Medicina inovadora que se tornou possível uma maior integração. “Entramos em contato com os departamentos da PUC e com seus pesquisadores para saber quem desenvolvia pesquisa para a área da saúde e se estavam interessados em unir-se a nós, médicos. O resultado tem sido surpreendente”, afirmou o professor Hilton Koch.
Entre os projetos está a pesquisa com impressão 3D de fetos desenvolvida pelo Prof. Jorge Lopes, coordenador do Núcleo de Experimentação Tridimensional (NEXT) e da linha de pesquisa em biodesign do laboratório Tecnologia e Saúde da PUC-Rio. Ela começou a ser desenvolvida em parceria com o médico Heron Werner Junior e possibilita a impressão de fetos em tamanho real a partir de exames de ultrassom, permitindo que grávidas cegas percebam através do tato a fisionomia e o formato do corpo dos seus bebês.
A partir dessa pesquisa, avanços científicos permitiram, através de exames de imagem, navegar dentro do corpo humano e explorar outras áreas. A partir de então, Jorge Lopes, junto com uma equipe de designers e médicos, começou a explorar diversas possibilidades. Tem desenvolvido a impressão 3D de diferentes órgãos, permitindo o estudo específico para diferentes casos clínicos, desde próteses ortopédicas a válvulas cardíacas. Com a navegação virtual e o trabalho de tratamento imagético dos softwares desenvolvidos, tem sido possível estudar possibilidades cirúrgicas para fetos antes mesmo deles nascerem.
Entre os diversos trabalhos com destaque internacional desenvolvidos pela equipe de Lopes, ele citou um caso, em parceria com a Fiocruz, de autopsia de um coração fetal que foi microtomografado e que está sendo publicado na Alemanha. “Temos toda a tecnologia necessária para desenvolver excelentes trabalhos aqui no Rio de Janeiro, sem precisar buscar em outros países. Basta apenas unirmos os profissionais e trocarmos experiências que o resultado será revelador”, finalizou o professor e pesquisador.
Dando sequência ao evento, o coordenador executivo do MedLes e da linha de pesquisa e-health do laboratório Tecnologia e Saúde da PUC-Rio, professor André Lucena, falou sobre os softwares e aplicativos de âmbito médico desenvolvidos por sua equipe. O MedLes faz parte do Laboratório de Engenharia de Software e é o segundo maior laboratório dentro do departamento de Informática da PUC-Rio.
Lucena explicou alguns dos principais projetos feitos em parceria com a Apple no desenvolvimento de aplicativos em IOS focados na medicina. Alguns deles são: o DocPad, que seria um tipo de Dropbox para todos os assuntos médicos; o Solução de Voz, que pretende minimizar o tempo que os médicos gastam após consultas e cirurgias escrevendo o prognóstico; o Pré Natal Digital, que já é um sucesso, para o acompanhamento de grávidas; e o Diapets, para diabéticos, que informa níveis de açúcar no sangue, quando aplicar insulina e quando se alimentar, tudo em forma de jogo e que será testado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
O encerramento do simpósio ficou por conta do Prof. Jorge Biolchini, coordenador de Pós-Graduação e Pesquisa do CCBS e do laboratório de Tecnologia e Saúde da PUC- Rio, que provocou a plateia a pensar novas possibilidades de interdisciplinaridade para inovação no campo da Medicina e suas diversas interfaces com outros campos do conhecimento.
“Multidisciplinaridade é o somatório de todos os conhecimentos e uma convergência, gerando resultados novos. A interdisciplinaridade trabalha na interface, gera novas zonas de conhecimento, diferentes perspectivas sobre o mesmo espaço, métodos e caminhos de desenvolvimento do conhecimento diferentes. O passo mais além é o da transdisciplinaridade, quando um determinado conhecimento atinge um grau de universalidade transversal a diferentes áreas. Inovação é a criatividade transformada em potencial de mudança. Na Medicina, inovar é aprimorar a qualidade da vida”.
Biolchini encerrou sua fala citando o jovem Albert Einstein, que em 1907 foi recusado a entrar como pesquisador na universidade por suas “ideias radicais”, e que anos depois afirmou: “Você não pode resolver problemas usando o mesmo modo de pensar que os criou”.